A natureza e a história dos Graus Maçônicos Aliados
A Ordem dos Graus Maçônicos Aliados distingue-se dos diversos outros sistemas de altos graus do REAA ou Side Degrees, pois não apresenta uma lógica interna nem uma progressão determinada. Os graus podem ser conferidos em qualquer ordem, uma vez que não possuem uma ligação real entre si. O costume dita, no entanto, que o primeiro grau conferido seja o de São Lourenço Mártir, pois é neste grau que o Conselho se reúne habitualmente.
A Ordem dos Graus Maçônicos Aliados nasceu na Inglaterra em 1879, com o objetivo de reunir e preservar antigos graus ditos destacados, ou seja, que não pertencem a nenhum sistema de altos graus. A Ordem não possui equivalente na Escócia, mas um tratado de amizade foi assinado em 2004 entre o Grande Conselho dos Graus Maçônicos Aliados da Inglaterra e do País de Gales e a Grande Loja da Escócia.

Emblema
A Ordem foi introduzida no Canadá em 1884, mas esta primeira forma, de origem inglesa, extinguiu-se em 1894.
Nos Estados Unidos, um primeiro Soberano Colégio dos Graus Maçônicos Aliados e Cristãos foi fundado em Richmond (Virgínia) em 1892, e um segundo Grande Conselho dos Graus Maçônicos Aliados foi criado em 1932 em Salisbury (Carolina do Norte). As duas organizações fundiram-se em 1933 para formar o atual Grande Conselho dos Graus Maçônicos Aliados dos Estados Unidos da América.
E foi dos Estados Unidos que os Graus Maçônicos Aliados retornaram ao Canadá a partir de 1963, sob a forma americana. Em 1984, foi constituído o Grande Conselho de Graus Maçônicos Aliados do Canadá, com o apoio do Grande Conselho americano. O Grande Conselho inglês reconheceu-o em 1985.
A Ordem dos Graus Maçônicos Aliados está hoje presente em diversos países: Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, França, Austrália, Índia, Benim e Congo.
Os graus da Ordem dos Graus Maçônicos Aliados
Como os Graus Maçônicos Aliados agrupam graus que, em princípio, não estão ligados a nenhum sistema (o que nem sempre é o caso), a sua lista pode variar conforme o país. De fato, os diferentes corpos maçônicos dos países anglo-saxônicos não são tão sistematicamente organizados como nos países europeus continentais. O mesmo grau pode ser isolado num país e ligado a uma ordem ou a um sistema noutro.
A Ordem inglesa comportava originalmente seis graus, mas um deles, a Ordem do Monitor Secreto, separou-se para se tornar uma ordem independente. Os graus restantes são assim :
A Ordem de São Lourenço Mártir, porta de entrada na Ordem, é certamente baseada em antigos usos operativos ingleses; este grau apresenta o Martírio de São Lourenço e ensina a Força.
O Cavaleiro de Constantinopla liga a maçonaria ao imperador romano Constantino e ensina a humildade.
O Grande Telhador de Salomão retoma o tema do maçom que surpreende uma conversa entre Salomão, Hiram de Tiro e Hiram Abif. É, portanto, aparentado ao 6º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito e ao Mestre Eleito dos Graus Crípticos.
O Cavaleiro da Cruz Vermelha da Babilônia relata a lenda de Zorobabel e da reconstrução do Templo. É, assim, próximo de muitos outros graus, tais como o 15º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, dos Cavaleiros-Maçons irlandeses e de certos aspectos do Royal Arch.
O Sumo Sacerdote, próximo do espírito do Royal Arch, exalta as figuras bíblicas e sacerdotais de Melquisedeque e Aarão.

adornos maçônicos
Na versão americana, encontramos a Ordem de São Lourenço Mártir, o Cavaleiro de Constantinopla e o Grande Telhador de Salomão. Mas contam-se vários outros:
Primeiramente, encontramos nos Graus Maçônicos Aliados americanos a Ordem do Monitor Secreto, que já não faz parte da Ordem Inglesa. A lenda desta Ordem evoca a amizade indestrutível de David e Jônatas.
Encontramos também o Nauta da Arca Real, que comemora a figura de Noé e a história do Dilúvio. Este grau existe também na Inglaterra, mas está integrado na Grande Loja da Maçonaria da Marca. E na Escócia, está submetido ao Supremo Grande Capítulo da Arca Real.
O Mestre Muito Excelente, que encontramos na Arca Real americana e escocesa, figura igualmente entre os Graus Maçônicos Aliados americanos.
Encontramos também três graus que se referem à lenda da arquitetura salomônica: o Arquiteto, o Grande Arquiteto e o Superintendente. Apresentam analogias com diferentes antigos graus de Arquitetos em uso na França e na Alemanha no século XVIII, dos quais o 12º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito é um exemplo.
Vem depois um grau original, criado na Carolina do Norte, provavelmente por volta de 1932: o Mestre de Tiro, que não conhece qualquer equivalente no universo dos altos graus. Preocupa-se com a dimensão tiriana da maçonaria, em ligação com Hiram de Tiro.
Finalmente, encontramos três ordens, que podemos qualificar como honorárias:
A Ordem do Ramo Vermelho de Eri, uma organização maçônica ancestral supostamente fundada pelos reis da Irlanda. Sob a sua forma atual, os rituais desta Ordem parecem ser obra de John Yarker (1833-1913), introdutor na Inglaterra das joias Memphis-Misraïm e autor do Rito Antigo e Primitivo em 33 graus. A forma inglesa da Ordem de Eri está ligada à Societas Rosicruciana in Anglia.
A Ordem do Cordão Escarlate, que relata uma lenda ligada ao episódio bíblico da tomada de Jericó pelo povo de Israel. Esta Ordem de origem holandesa espalhou-se pela Inglaterra, onde é independente dos Graus Maçônicos Aliados.
A Ordem Antiga do Nobre Cork, uma espécie de grau lúdico e paródico, que recorda que Noé foi o primeiro a conhecer a embriaguez. Esta Ordem é particularmente honrada na Escócia, onde não tem qualquer relação com os Graus Maçônicos Aliados.
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