Os primórdios da maçonaria na Suécia
A maçonaria que se estabeleceu na Suécia a partir de 1735 era de origem francesa. Ao contrário do que aconteceu na maioria dos Estados europeus, Londres não desempenhou qualquer papel. A primeira Loja foi fundada em Estocolmo em 1735 pelo conde Axel Wrede-Sparre (1708-1772), que tinha recebido em França os três graus da maçonaria simbólica. Três anos mais tarde, o barão Carl Frederik Scheffer (1715-1786) regressava à Suécia após uma estadia em França, munido de uma carta assinada em 1737 por Lord Derwentwater, então Grão-Mestre da Grande Loja de França: esta carta autorizava-o a criar e administrar Lojas sob a jurisdição da Grande Loja de França, enquanto aguardava ter Lojas suficientes para eleger um Grão-Mestre para a Suécia. O rei da Suécia Frederico I (1676-1751) preocupou-se com esta nova sociedade e proibiu-a em 1738, sob pena de morte. Contudo, não tardou a receber a homenagem oficial dos maçons e levantou a proibição após apenas alguns meses.
A Grande Loja da Suécia foi criada em 1761, sob a proteção do rei Adolfo-Frederico (1710-1771), com patentes da Grande Loja de França e rituais de origem francesa, e o primeiro Grão-Mestre foi o barão Scheffer. Foi reconhecida pela Grande Loja de Londres em 1770.
Os primeiros altos graus do REAA praticados na Suécia também vinham de França. Em 1743, de regresso de uma nova estadia em França, o barão Scheffer trouxe rituais de altos graus franceses e criou um primeiro Capítulo Escocês em Estocolmo. Depois, em 1754, um certo Dr. Engelhardt recebeu uma patente do conde de Clermont, Grão-Mestre da Grande Loja de França, para a prática dos altos graus. Fundou uma Loja e um Capítulo em Gotemburgo em 1757. Finalmente, em 1759, o conde Hirn trouxe outros altos graus de Metz, que só se tornaria francesa em 1766, mas que já era amplamente influenciada pela França.
As origens do Rito Sueco
Tanto pela mentalidade como pela cultura e religião, os maçons suecos sentiam-se mais próximos dos seus Irmãos dos Estados alemães protestantes do que dos maçons franceses. Não tardaram a criar o seu próprio sistema, tingido de misticismo, rosacrucianismo e da lenda templária. O médico e Conselheiro da Chancelaria Carl Frederik Eckleff (1723-1786) fundou em 1759 um Capítulo de altos graus influenciado pelo misticismo da Escola do Norte, e em particular pelo místico sueco Emmanuel Swedenborg (1688-1772). Aquando da fundação da Grande Loja da Suécia em 1761, tornou-se Grão-Mestre Adjunto e dedicou-se a reformular os seus rituais para os fazer adotar pela nova Obediência.

Carl Eckleff
O novo Rito apropriou-se da lenda templária da Estrita Observância Templária alemã, então no seu apogeu, e decretou que, se a Alemanha representava bem a VII Província da Ordem, a Dinamarca era a VIII e a Suécia a IX. O Rito Sueco assumiu, portanto, a missão de restaurar estas Províncias, tal como a Estrita Observância tinha feito na Alemanha. As duas Ordens entraram numa relação feita tanto de aliança como de rivalidade. As relações foram complicadas em 1764 por um transfuga da Estrita Observância que, tendo comprado os graus suecos a Eckleff, criou a sua própria versão, que difundiu na Alemanha. É o Rito de Zinnendorf, nome deste ambicioso maçom alemão, Johann Wilhelm Kellner von Zinnendorf (1731-1782).
O príncipe Carlos de Sudermânia (1748-1818), segundo filho de Adolfo-Frederico, que reinaria na Suécia entre 1809 e 1818 sob o nome de Carlos XIII, desempenhou um papel importante na história do Rito Sueco, mas também da Estrita Observância Templária. Ávido por misticismo e bastante crédulo, foi recebido no Capítulo de Eckleff em 1770. Eckleff, compreendendo todo o lucro que poderia tirar desta personagem importante, deixou-lhe o seu lugar à frente dos altos graus, vendendo-lhe a um preço elevado toda a documentação necessária para administrar o Rito. Carlos acrescentou dois graus aos nove que Eckleff tinha criado, reforçando assim a dimensão templária e rosacruciana do Rito, e foi também recebido na Ordem Interior da Estrita Observância Templária.
Na Alemanha, o Convento da Estrita Observância Templária realizado em Kohlo em 1772 desautorizou o barão de Hund e Carlos apresentou-se para lhe suceder, mas o Convento preferiu Fernando de Brunswick-Luneburgo (1721-1782) como Grão-Superior da Ordem. Este fracasso de Carlos foi certamente uma sorte para o Rito Sueco, que provavelmente teria desaparecido como a Estrita Observância Templária se as duas Ordens tivessem fundido.
As especificidades do Rito Sueco
O Rito Sueco está dividido em três classes:
Loja de S. João
- Aprendiz
- Companheiro
III. Mestre
Loja de S. André
IV/V. Aprendiz e Companheiro de S. André
- Mestre de S. André
Capítulo
VII. Alto Ilustre Irmão, ou Cavaleiro do Oriente
VIII. Muito Alto Ilustre Irmão, ou Cavaleiro do Ocidente
- Irmão Iluminado
- Irmão Alto Iluminado
O conjunto é coroado por um XI grau, administrativo: o Irmão Muito Alto Iluminado, Cavaleiro e Comendador da cruz Vermelha.
Constata-se desde logo que o Rito Sueco se coloca sob o patrocínio de dois Apóstolos, S. André e S. João. S. André é citado em vários altos graus ditos Escoceses, pois é o santo padroeiro da Escócia. Mas aqui, é visto mais como aquele que introduz junto de Jesus, pois segundo o Evangelho, foi o primeiro discípulo a seguir Jesus, e foi ele quem apresentou o seu irmão Simão (o futuro S. Pedro) a Jesus. E S. João é importante no Rito Sueco não tanto como Evangelista, mas como visionário e autor do Apocalipse, anunciador da Nova Jerusalém. Como se pode constatar, o Rito Sueco é resolutamente cristão, e apenas cristãos podem ser nele recebidos.
Mas, ao contrário da maioria das Ordens maçónicas ou paramaçónicas do século XVIII que reivindicavam a herança rosacruciana, o Rito Sueco não se preocupou nem com alquimia nem com ocultismo prático. Concentrava-se apenas na teurgia, procurando assim um contacto místico direto com a Divindade. Nisso, recorda a herança martinista do Rito Escocês Retificado e a tradição martinista.

Carlos XIII
Outra especificidade do Rito Sueco é a sua relação muito profunda com a Coroa sueca. Desde Carlos XIII, que reinou de 1809 a 1818, todos os reis da Suécia foram estatutariamente Grão-Mestres da maçonaria sueca. Apenas o rei atual, Carlos XVI Gustavo (nascido em 1946), rompeu com esta tradição, mantendo-se, contudo, Protetor da maçonaria no seu país. A Grão-Mestria já não pertence à família real.



