O Rito Sueco: a maçonaria cristã dos reinos do Norte

1. Os primórdios da maçonaria na Suécia

A maçonaria que se estabeleceu na Suécia a partir de 1735 era essencialmente de origem francesa. Ao contrário do que ocorreu em grande parte da Europa do século XVIII, Londres praticamente não desempenhou qualquer papel no início. A primeira Loja foi fundada em Estocolmo pelo conde Axel Wrede-Sparre (1708-1772), que havia recebido os três graus simbólicos durante uma estadia na França. A jovem maçonaria sueca desenvolveu-se, portanto, inicialmente sob influência continental francesa, tanto pelos seus rituais quanto pela sua organização.

Alguns anos mais tarde, o barão Carl Frederik Scheffer (1715-1786) regressou também da França com uma autorização concedida em 1737 por Lord Derwentwater, então Grão-Mestre da Grande Loja de França. Esta patente permitia-lhe criar e administrar Lojas na Suécia até que uma estrutura nacional pudesse ser constituída. O objetivo já era claro: estabelecer uma maçonaria sueca autónoma, mas reconhecida pelas grandes potências maçónicas europeias.

O aparecimento desta nova sociedade preocupou, contudo, o rei Frederico I (1676-1751). Em 1738, ele proibiu a maçonaria sob pena de morte. Esta decisão espetacular foi, no entanto, de curta duração. Os maçons suecos prestaram rapidamente juramento de lealdade à Coroa, e a proibição foi levantada apenas alguns meses depois. Este episódio revela já uma característica duradoura da maçonaria nórdica: a sua preocupação constante em manter uma relação harmoniosa com a autoridade monárquica.

A Grande Loja da Suécia foi oficialmente criada em 1761 sob a proteção do rei Adolfo Frederico (1710-1771). Scheffer tornou-se o seu primeiro Grão-Mestre. As patentes provinham ainda da Grande Loja de França, e os primeiros rituais utilizados permaneciam largamente inspirados nos usos franceses. Em 1770, a Grande Loja de Londres reconheceu, por sua vez, a Obediência sueca, consagrando assim a sua integração no panorama maçónico europeu.

Os altos graus apareceram também muito cedo na Suécia. Desde 1743, Scheffer trouxe da França vários altos graus escoceses e fundou um primeiro Capítulo em Estocolmo. Outros sistemas foram introduzidos depois em Gotemburgo e em diversas cidades do reino. A maçonaria sueca de meados do século XVIII encontrava-se assim atravessada pelas mesmas influências que o resto da Europa: altos graus escoceses, lendas cavalheirescas, mística cristã e fascínio pelos saberes esotéricos. Mas estes elementos seriam em breve reorganizados segundo uma sensibilidade propriamente nórdica.

2. Por que os suecos criaram o seu próprio Rito maçónico

Apesar das influências francesas que acompanharam os inícios da maçonaria na Suécia, os maçons suecos não tardaram a sentir uma certa distância cultural em relação aos sistemas vindos de Paris. Pela sua religião, mentalidade e ambiente intelectual, sentiam-se mais próximos dos Estados protestantes alemães do que do mundo latino. Esta proximidade favoreceu progressivamente o surgimento de um sistema original, profundamente marcado pelo misticismo cristão do Norte da Europa.

A figura central desta transformação foi Carl Frederik Eckleff (1723-1786), médico e conselheiro da Chancelaria real. Em 1759, fundou um Capítulo de altos graus que se tornaria o verdadeiro núcleo do futuro Rito Sueco. Eckleff não se contentou em retomar sistemas existentes: reorganizou-os dando-lhes uma coerência doutrinal nova, nutrida de espiritualidade protestante, simbolismo cavalheiresco e influências rosacruzes.

Retrato de Carl Frederik Eckleff, fundador dos primeiros altos graus do Rito Sueco – Loja

Carl Frederik Eckleff, principal arquiteto do futuro Rito Sueco no século XVIII

Entre as inspirações maiores desta nova orientação figurava Emmanuel Swedenborg (1688-1772), cientista, teólogo e místico sueco cujas visões espirituais exerceram uma influência considerável nos meios esotéricos europeus. Sem que o Rito Sueco possa ser considerado “swedenborguiano” no sentido estrito, reencontramos na sua atmosfera a ideia de uma iniciação orientada para a iluminação interior e a contemplação das realidades celestes. A busca iniciática assume aí uma dimensão menos especulativa ou filosófica do que verdadeiramente espiritual.

Quando a Grande Loja da Suécia foi fundada em 1761, Eckleff tornou-se Grão-Mestre Adjunto. Empreendeu então o retrabalho dos seus rituais a fim de os fazer adotar pela nova Obediência. Pouco a pouco, um sistema especificamente sueco foi posto em prática. Não se tratava mais apenas de importar altos graus estrangeiros, mas de construir uma via iniciática coerente correspondente à cultura religiosa e política dos reinos nórdicos.

Esta evolução explica por que o Rito Sueco não se parece, finalmente, nem com os sistemas franceses, nem com os sistemas ingleses. O seu universo espiritual é o de uma maçonaria cristã contemplativa, fortemente hierarquizada, onde a dimensão mística ocupa um lugar central. Desde essa época, a futura originalidade do Rito aparece já claramente: não procura tornar-se universal, mas expressar uma certa visão sagrada da monarquia, do cristianismo e da iniciação.

3. O Rito Sueco e a tentação templária

Como grande parte dos altos graus europeus do século XVIII, o Rito Sueco foi profundamente marcado pelo fascínio pela herança templária. A época via florescer uma quantidade de sistemas que afirmavam preservar os segredos dos antigos cavaleiros do Templo, supostamente transmitidos na clandestinidade após o desaparecimento da Ordem medieval. Entre eles, a Estrita Observância Templária alemã conhecia então um imenso sucesso nos Estados germânicos.

O Rito Sueco retomou largamente esta lenda cavalheiresca, mas adaptando-a ao seu próprio contexto. Onde a Estrita Observância pretendia restaurar a antiga organização das províncias templárias na Alemanha, os suecos afirmaram que os reinos nórdicos correspondiam também a províncias históricas da Ordem. A Dinamarca tornava-se assim a VIII Província, enquanto a Suécia era identificada com a IX Província. O Rito Sueco dava-se, portanto, a missão de restaurar espiritualmente estes territórios, numa perspetiva ao mesmo tempo maçónica e cavalheiresca.

As relações entre o Rito Sueco e a Estrita Observância foram complexas. Os dois sistemas partilhavam um imaginário comum, mas permaneciam também rivais. A situação complicou-se ainda mais quando um maçom alemão, Johann Wilhelm Kellner von Zinnendorf (1731-1782), adquiriu junto de Eckleff certos graus suecos para os difundir na Alemanha sob uma forma reformulada. Este sistema, tornado o Rito de Zinnendorf, conservou vários elementos do Rito Sueco, adaptando-se ao contexto alemão.

Esta circulação de rituais mostra o quanto o século XVIII maçónico era um mundo em movimento, atravessado por alianças, transmissões e reinterpretações permanentes. Os sistemas iniciáticos não cessavam então de evoluir, muitas vezes em torno dos mesmos temas: cavalaria, cristianismo esotérico, filiação templária e iluminação interior.

A personagem que deu ao Rito Sueco uma orientação ainda mais nitidamente cavalheiresca foi o príncipe Carlos de Sudermânia (1748-1818), futuro Carlos XIII da Suécia. Iniciado no sistema de Eckleff em 1770, apaixonou-se rapidamente pelo misticismo e pelas doutrinas templárias. Eckleff compreendeu imediatamente o interesse que podia tirar do apoio de um príncipe real tão influente. Transmitiu-lhe progressivamente a direção dos altos graus, bem como o conjunto dos documentos necessários à administração do Rito.

Carlos adicionou então dois graus suplementares aos nove graus já existentes, reforçando ainda mais o caráter cavalheiresco e rosacruz do sistema. Foi também recebido na Ordem Interior da Estrita Observância Templária, o que acentuou os laços entre as duas correntes.

Em 1772, após o descrédito do barão de Hund, fundador da Estrita Observância, Carlos esperou mesmo assumir a chefia da Ordem templária alemã. Mas o Convento de Kohlo preferiu finalmente Fernando de Brunswick-Luneburgo (1721-1792). Este fracasso teve provavelmente consequências decisivas para o futuro do Rito Sueco. Se os dois sistemas tivessem fundido, o Rito nórdico teria sem dúvida desaparecido com a Estrita Observância Templária alguns anos mais tarde. Ao contrário, conservou a sua autonomia e pôde prosseguir a sua evolução própria no seio das monarquias escandinavas.

4. Carlos XIII e a transformação do Rito Sueco

O príncipe Carlos de Sudermânia não foi apenas um protetor da maçonaria sueca. Transformou profundamente o Rito e contribuiu para lhe dar a sua fisionomia definitiva. Personagem complexa, atraído pelas ciências ocultas, pelo misticismo cristão e pelas sociedades iniciáticas, via na maçonaria muito mais do que um simples círculo aristocrático ou filosófico. Para ele, a iniciação devia conduzir a uma verdadeira regeneração espiritual.

Quando assumiu progressivamente a direção do sistema elaborado por Eckleff, Carlos empreendeu o reforço da sua coerência doutrinal e do seu caráter cavalheiresco. Os dois graus suplementares que adicionou ao Rito acentuaram ainda a sua tonalidade rosacruz e iluminista. Mas, sobretudo, o Rito Sueco começou então a estruturar-se como uma verdadeira ordem cristã colocada sob a proteção da monarquia.

Esta evolução distingue profundamente o Rito Sueco da maioria dos outros sistemas maçónicos europeus. Nos países latinos, a maçonaria iria progressivamente tomar uma orientação mais filosófica, por vezes mesmo racionalista ou política. Nos reinos nórdicos, ao contrário, permaneceu estreitamente ligada a uma visão sagrada do poder real e a uma espiritualidade explicitamente cristã.

Vista interior da Grande Sala de São João da Grande Loja da Suécia no palácio Bååth em Estocolmo – Loja

A Grande Sala de São João, principal templo da Grande Loja da Suécia no palácio Bååth de Estocolmo

O futuro Carlos XIII desempenhou aqui um papel decisivo. O seu prestígio principesco permitiu ao Rito enraizar-se duradouramente nas estruturas do reino. Longe de ser marginalizada ou combatida, a maçonaria sueca integrou-se progressivamente na ordem social e monárquica do país. Esta proximidade com a Coroa explica em grande parte a estabilidade notável do Rito Sueco através dos séculos.

Quando Carlos subiu finalmente ao trono em 1809 sob o nome de Carlos XIII, esta relação privilegiada entre monarquia e maçonaria atingiu o seu apogeu. O soberano encarnava doravante ao mesmo tempo a autoridade real e a autoridade iniciática suprema. A maçonaria sueca deixava assim de ser uma simples sociedade iniciática entre outras: tornava-se um elemento simbólico da identidade monárquica nórdica.

Esta situação permanece quase sem equivalente na história maçónica europeia. Noutros lugares, as relações entre maçonaria e poder político foram muitas vezes conflituosas ou ambíguas. Na Suécia, tomaram ao contrário a forma de uma aliança duradoura, enraizada numa mesma conceção cristã e hierárquica da sociedade.

5. Os graus do Rito Sueco

O Rito Sueco distingue-se também pela sua organização iniciática particularmente estruturada. Onde muitos sistemas maçónicos acumularam progressivamente dezenas de altos graus por vezes dificilmente articulados entre si, o Rito nórdico procurou ao contrário construir um percurso coerente e hierarquizado. Cada etapa deve conduzir o candidato a uma compreensão espiritual mais profunda do cristianismo e da vocação interior do cavaleiro cristão.

O sistema está tradicionalmente dividido em três grandes classes.

As Lojas de São João agrupam os três primeiros graus:

I. Aprendiz
II. Companheiro
III. Mestre

Como noutros sistemas maçónicos, estes graus constituem a base da iniciação. Mas mesmo a este nível, o Rito Sueco afirma já a sua identidade cristã. As referências bíblicas ocupam aí um lugar central, e a atmosfera dos rituais difere sensivelmente da dos sistemas mais universalistas.

Vêm depois as Lojas de Santo André:

IV/V. Aprendiz e Companheiro de Santo André
VI. Mestre de Santo André

Esta segunda classe marca uma transição importante. Santo André não aparece aí apenas como o padroeiro da Escócia, tal como é muitas vezes apresentado em certos altos graus escoceses. Torna-se sobretudo a figura do discípulo que conduz a Cristo. Segundo o Evangelho, André foi o primeiro chamado, mas também aquele que apresentou o seu irmão Simão Pedro a Jesus. O simbolismo do Rito Sueco utiliza esta figura para expressar a ideia de um aprofundamento espiritual progressivo.

A terceira classe corresponde ao Capítulo:

VII. Alto Ilustre Irmão, ou Cavaleiro do Oriente
VIII. Muito Alto Ilustre Irmão, ou Cavaleiro do Ocidente
IX. Irmão Iluminado
X. Irmão Alto Iluminado

O sistema é finalmente coroado por um XI grau essencialmente administrativo:

XI. Irmão Muito Alto Iluminado, Cavaleiro e Comendador da Cruz Vermelha

Esta progressão não deve ser compreendida como uma simples acumulação de títulos honoríficos. O Rito Sueco apresenta ao contrário uma verdadeira lógica iniciática. Quanto mais o candidato avança nos graus, mais a dimensão contemplativa e mística se torna importante. O objetivo não é a aquisição de um saber esotérico no sentido clássico do termo, mas uma transformação interior orientada para a iluminação cristã.

Ao contrário de certas correntes esotéricas do século XVIII, o Rito Sueco não manifestou, aliás, mais do que um interesse limitado pela alquimia ou pelas práticas ocultas. Concentrou-se essencialmente na teurgia, isto é, na possibilidade de uma aproximação espiritual com a Divindade. Esta orientação recorda por vezes certos aspetos do Rito Escocês Retificado ou da tradição martinista, mesmo que o contexto histórico e doutrinal permaneça muito diferente.

O conjunto do sistema iniciático sueco aparece assim como uma tentativa de construir uma cavalaria interior cristã, colocada sob o signo da contemplação, da fidelidade monárquica e da esperança de uma regeneração espiritual.

6. Por que o Rito Sueco é exclusivamente cristão?

A dimensão cristã do Rito Sueco constitui sem dúvida a sua característica mais conhecida, mas também a mais mal compreendida. Em grande parte da maçonaria contemporânea, o cristianismo não aparece mais do que como uma herança cultural ou simbólica entre outras. O Rito Sueco adota ao contrário uma posição muito mais explícita: apenas cristãos podem ser aí recebidos.

Esta exigência não resulta de um simples conservadorismo religioso. Decorre diretamente da estrutura mesma do Rito. O conjunto do sistema iniciático repousa sobre uma leitura cristã do mundo, da história sagrada e do destino espiritual do homem. As referências bíblicas não servem apenas de cenário ritual: constituem o coração doutrinal do percurso iniciático.

O Rito Sueco coloca-se aliás sob o patrocínio de duas figuras apostólicas maiores: São João e Santo André. São João não está aí apenas associado ao Evangelho, mas sobretudo ao Apocalipse e à visão da Nova Jerusalém. Representa a dimensão contemplativa e profética da iniciação. Santo André, quanto a ele, simboliza o discípulo que conduz a Cristo e prepara a entrada numa compreensão mais profunda do mistério cristão.

Esta orientação distingue fortemente o Rito Sueco dos sistemas maçónicos que privilegiam uma abordagem mais universalista. Onde certas Obediências consideram a maçonaria como um espaço espiritual aberto a todas as religiões, o Rito Sueco afirma ao contrário que uma iniciação cristã coerente supõe uma adesão prévia à fé cristã.

É preciso, contudo, evitar um contrassenso frequente. O Rito Sueco não constitui uma simples sobreposição de cristianismo e simbolismo maçónico. Não se trata tampouco de um cristianismo decorativo adicionado artificialmente a estruturas iniciáticas mais antigas. O sistema sueco forma um conjunto teológico relativamente coerente, no qual os graus, os símbolos e as referências cavalheirescas convergem para uma mesma visão espiritual.

Esta coerência explica também por que o Rito Sueco conserva uma tonalidade profundamente mística. O seu objetivo não é apenas moral ou filosófico. Trata-se de uma via de transformação interior orientada para a contemplação das realidades divinas. Nisso, o Rito aproxima-se por vezes de certas correntes iluministas do século XVIII, mantendo-se solidamente enraizado no cristianismo luterano nórdico.

Esta fidelidade a uma identidade confessional forte explica provavelmente a singularidade duradoura do Rito Sueco no panorama maçónico europeu. Enquanto muitos sistemas iniciáticos atenuaram progressivamente as suas referências religiosas, ele escolheu conservá-las plenamente, sob o risco de aparecer como um modelo à parte na maçonaria contemporânea.

7. Monarquia e maçonaria: uma aliança única

O Rito Sueco mantém com a monarquia uma relação sem verdadeiro equivalente no resto da maçonaria europeia. Desde o século XVIII, os soberanos suecos compreenderam o interesse que podiam encontrar nesta instituição aristocrática e cristã, profundamente ligada à ordem social do reino. Progressivamente, a maçonaria nórdica deixou de ser percebida como uma sociedade discreta tolerada pelo poder: tornou-se um elemento integrado no universo monárquico ele próprio.

Esta evolução atingiu o seu ponto culminante com Carlos XIII. A partir do seu reinado, todos os reis da Suécia foram estatutariamente Grão-Mestres da maçonaria sueca. A autoridade real e a autoridade iniciática encontravam-se assim reunidas numa mesma pessoa. Esta situação durou até ao reinado atual de Carlos XVI Gustavo (nascido em 1946), que conservou o título de Protetor da maçonaria sueca sem exercer ele próprio a Grão-Mestria.

Esta proximidade com a Coroa deu ao Rito Sueco uma estabilidade excecional. Enquanto numerosas Obediências europeias atravessaram conflitos políticos, cismas ou perseguições, a maçonaria sueca permaneceu solidamente enraizada nas estruturas do Estado monárquico. A sua identidade cristã e lealista permitiu-lhe evitar grande parte das tensões que opuseram noutros lugares a maçonaria aos poderes religiosos ou políticos.

O símbolo mais notável desta aliança permanece a Ordem de Carlos XIII, instaurada em 1811 pelo próprio soberano. Esta Ordem ocupa um lugar singular, pois pertence ao mesmo tempo ao universo maçónico e ao sistema honorífico oficial da Coroa sueca. Não se trata, portanto, de um simples grau suplementar ou de uma decoração interna a uma Obediência, mas bem de uma verdadeira ordem cavalheiresca real.

Insígnia da Ordem real de Carlos XIII ligada à maçonaria sueca – Loja

A Ordem real de Carlos XIII, distinção honorífica reservada a certos altos dignitários do Rito Sueco

A Ordem de Carlos XIII não pode contar mais do que trinta e três membros. Para ser admitido, é preciso não apenas ter atingido o XI grau do Rito Sueco, mas também ser considerado particularmente merecedor. Esta limitação numérica reforça ainda o seu prestígio e o seu caráter elitista.

Através desta Ordem, o Rito Sueco revela uma conceção muito particular da maçonaria. Nos reinos nórdicos, a iniciação nunca foi pensada como uma força de contestação da ordem estabelecida. Aparece antes como um prolongamento espiritual e cavalheiresco da ordem monárquica cristã. O maçom ideal não é apresentado como um pensador independente desafiando as estruturas tradicionais, mas como um homem chamado a servir lealmente a Deus, ao rei e ao seu próximo.

Esta visão pode surpreender num mundo maçónico muitas vezes marcado pelas heranças liberais ou racionalistas do século XIX. Contudo, recorda que não existe uma única tradição maçónica europeia, mas várias sensibilidades históricas por vezes muito diferentes umas das outras.

8. O Rito Sueco hoje

O Rito Sueco permanece hoje o principal sistema maçónico dos países nórdicos. É praticado na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, na Islândia e numa parte da Finlândia. A sua influência ultrapassa, portanto, largamente as fronteiras suecas propriamente ditas, mesmo que cada Obediência nacional possua certas particularidades próprias.

Na Finlândia, a situação é mais complexa. O país conhece ao mesmo tempo uma maçonaria de tradição anglo-saxónica e estruturas que trabalham segundo o Rito Sueco. Esta coexistência reflete a história particular da Finlândia, durante muito tempo ligada à Coroa sueca antes de passar sob domínio russo no século XIX.

O Rito Sueco existe também, sob formas adaptadas, em algumas Lojas alemãs e espanholas. Contudo, estas implantações permanecem marginais em relação ao papel central que o sistema conserva nas monarquias escandinavas.

Apesar das transformações profundas da sociedade europeia desde o século XVIII, o Rito Sueco conservou o essencial da sua identidade histórica. O seu caráter cristão permanece plenamente afirmado, tal como a sua organização hierarquizada e a sua tonalidade mística. Esta continuidade explica sem dúvida por que intriga tanto os maçons oriundos de tradições mais universalistas ou mais racionalistas.

O Rito Sueco ocupa também uma posição particular nas relações maçónicas internacionais. A sua exclusividade cristã limita naturalmente certos reconhecimentos ou certos intercâmbios com Obediências abertas a todas as religiões. Contudo, permanece plenamente integrado no universo da maçonaria dita regular e mantém relações seguidas com as grandes Obediências reconhecidas.

Esta fidelidade às suas estruturas originais dá ao Rito Sueco uma fisionomia quase intemporal. Num panorama maçónico muitas vezes marcado pelas reformas, pelas simplificações rituais ou pelos debates ideológicos modernos, aparece como um dos últimos grandes sistemas iniciáticos europeus que conservou uma forte continuidade histórica e espiritual.

Para muitos maçons estrangeiros, o Rito Sueco conserva assim uma forma de estranheza fascinante. Através das suas referências cristãs explícitas, da sua herança cavalheiresca, do seu laço antigo com a monarquia e da sua dimensão contemplativa, parece preservar algo da atmosfera iniciática própria ao século XVIII europeu.

9. Conclusão – O Rito Sueco, entre monarquia cristã e iniciação mística

O Rito Sueco ocupa um lugar singular na história da maçonaria europeia. Nascido das influências francesas do século XVIII, enriquecido pelo misticismo nórdico e profundamente enraizado na cultura protestante escandinava, construiu progressivamente uma identidade própria, ao mesmo tempo cristã, cavalheiresca e monárquica.

Onde outros sistemas maçónicos procuraram uma forma de universalidade filosófica ou simbólica, o Rito Sueco conservou uma orientação confessional assumida. Esta fidelidade a uma estrutura espiritual explicitamente cristã explica em grande parte a sua originalidade, mas também a sua estabilidade notável através dos séculos.

O seu laço histórico com a Coroa sueca, a sua organização hierarquizada e a sua dimensão contemplativa fazem dele provavelmente um dos últimos grandes sistemas iniciáticos europeus ainda estreitamente ligados a uma visão sagrada da monarquia e da ordem cristã. Mais do que um simples Rito maçónico entre outros, o Rito Sueco aparece assim como a testemunha viva de uma outra maneira de conceber a maçonaria: menos voltada para o universalismo moderno do que para a regeneração espiritual e a cavalaria interior.

Por Ion Rajolescu, redator-chefe de Loja — ao serviço de uma palavra maçónica justa, rigorosa e viva.

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1 O que é o Rito Sueco na maçonaria?

O Rito Sueco é um sistema iniciático maçónico praticado principalmente nos países nórdicos: Suécia, Dinamarca, Noruega, Islândia e Finlândia. Nascido no século XVIII, distingue-se pelo seu caráter explicitamente cristão, a sua forte dimensão mística e o seu laço histórico com a monarquia sueca.

2 Por que o Rito Sueco é reservado aos cristãos?

O Rito Sueco repousa sobre uma estrutura doutrinal inteiramente fundada no cristianismo. As referências bíblicas, a simbólica dos graus e a progressão iniciática supõem uma adesão à fé cristã. Ao contrário de outros sistemas maçónicos mais universalistas, não considera o cristianismo como um simples cenário simbólico.

3 Quais são os graus do Rito Sueco?

O Rito Sueco compreende onze graus repartidos em três grandes classes: as Lojas de São João, as Lojas de Santo André e o Capítulo. O sistema é coroado por um XI grau essencialmente administrativo: o Irmão Muito Alto Iluminado, Cavaleiro e Comendador da Cruz Vermelha. A Ordem de Carlos XIII, quanto a ela, constitui uma ordem honorífica distinta reservada a certos detentores deste grau.

4 Que laço existe entre o Rito Sueco e a monarquia?

Desde o reinado de Carlos XIII no início do século XIX, os reis da Suécia exerceram durante muito tempo a função de Grão-Mestre da maçonaria sueca. Esta relação privilegiada entre monarquia e iniciação constitui uma das grandes especificidades do Rito Sueco.

5 O Rito Sueco está ligado aos Templários?

Como muitos altos graus do século XVIII, o Rito Sueco retoma uma parte do imaginário cavalheiresco e templário desenvolvido pela Estrita Observância Templária alemã. Contudo, diferenciou-se rapidamente deste sistema para desenvolver a sua própria identidade espiritual e monárquica.

6 O Rito Sueco ainda existe hoje?

Sim. O Rito Sueco permanece o principal sistema maçónico dos países escandinavos. Conserva ainda hoje a sua organização tradicional, o seu caráter cristão e uma forte continuidade com as suas estruturas históricas do século XVIII.

7 Que diferença existe entre o Rito Sueco e o Rito Escocês Retificado?

O Rito Sueco e o Rito Escocês Retificado partilham certas influências místicas cristãs e cavalheirescas. Contudo, o Rito Sueco está mais diretamente ligado ao protestantismo nórdico e à monarquia escandinava, enquanto o Rito Escocês Retificado desenvolveu-se num contexto mais continental e martinista.

Encontre aqui a transcrição completa do podcast para aqueles que preferem a leitura ou desejam aprofundar as trocas.

Podcast – O Rito Sueco: a maçonaria cristã dos reinos do Norte

O Rito Sueco permanece um dos grandes sistemas maçónicos mais desconhecidos da Europa ocidental. Contudo, nos reinos escandinavos, representa ainda hoje a principal forma de maçonaria. Através dele subsiste uma tradição iniciática profundamente cristã, mística e monárquica, muito diferente das formas mais universalistas que se encontram noutros lugares.

A história do Rito Sueco começa em meados do século XVIII. As primeiras Lojas aparecidas na Suécia eram de origem francesa. Este ponto é importante, pois imagina-se muitas vezes que toda a maçonaria europeia deriva diretamente de Londres. Ora, na Suécia, foram sobretudo aristocratas regressados da França que introduziram os primeiros graus maçónicos.

Em 1735, o conde Axel Wrede-Sparre fundou em Estocolmo a primeira Loja conhecida do reino. Alguns anos mais tarde, o barão Carl Frederik Scheffer regressou também da França com a autorização de criar Lojas sob a autoridade da Grande Loja de França. A jovem maçonaria sueca nasceu, portanto, numa atmosfera largamente influenciada pelos usos franceses do tempo.

Mas muito rapidamente, os maçons suecos sentiram uma certa distância com o mundo latino. A sua cultura, a sua religião e a sua sensibilidade espiritual aproximavam-nos mais dos Estados protestantes alemães e das tradições místicas do Norte da Europa.

É aqui que aparece a grande figura de Carl Frederik Eckleff. Médico, alto funcionário e místico, Eckleff empreendeu a reorganização dos altos graus praticados na Suécia a fim de construir um sistema iniciático coerente, adaptado à cultura espiritual escandinava.

A sua obra foi fortemente marcada pelo clima místico do século XVIII nórdico. O grande pensador sueco Emmanuel Swedenborg exercia então uma influência considerável em certos meios espirituais europeus. Mesmo que o Rito Sueco não possa ser qualificado de sistema swedenborguiano no sentido estrito, reencontramos nele essa mesma aspiração à iluminação interior e à contemplação das realidades celestes.

Pouco a pouco, o Rito Sueco afastou-se dos sistemas francês e inglês para desenvolver uma identidade própria. Uma identidade fundada sobre três pilares: o cristianismo, a cavalaria e a monarquia.

Como muitos altos graus do século XVIII, o Rito Sueco foi também influenciado pela lenda templária. Nessa época, muitos sistemas iniciáticos pretendiam preservar a herança secreta dos antigos cavaleiros do Templo.

O modelo dominante era então a Estrita Observância Templária alemã. Os suecos retomaram uma parte deste imaginário cavalheiresco, mas adaptaram-no à sua própria visão. Afirmaram assim que os reinos nórdicos correspondiam também a antigas províncias templárias que deviam ser restauradas espiritualmente.

O futuro Carlos XIII desempenhou aqui um papel decisivo. Príncipe místico, apaixonado pelas sociedades iniciáticas e pelas doutrinas cavalheirescas, transformou profundamente o Rito Sueco. Quando assumiu progressivamente a direção do sistema criado por Eckleff, reforçou a sua dimensão cristã, rosacruz e monárquica.

Carlos adicionou também dois graus suplementares ao sistema inicial. Mas, sobretudo, deu ao Rito Sueco um lugar único no universo maçónico europeu: o de uma ordem iniciática estreitamente ligada à Coroa.

Quando Carlos se tornou rei da Suécia no início do século XIX, a relação entre monarquia e maçonaria atingiu o seu apogeu. Doravante, os soberanos suecos seriam também os Grão-Mestres da maçonaria do reino.

Esta situação permanece praticamente sem equivalente noutros lugares na Europa.

O Rito Sueco ele próprio está organizado em várias classes sucessivas. Os primeiros graus correspondem às Lojas de São João: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Vêm depois as Lojas de Santo André, depois os graus capitulares.

O conjunto do sistema conduz progressivamente para uma forma de iluminação cristã interior. O Rito Sueco não procura apenas transmitir símbolos ou ensinamentos morais. Apresenta-se como uma verdadeira via de transformação espiritual.

São João e Santo André ocupam aí um lugar essencial. São João está associado à visão da Nova Jerusalém e à dimensão contemplativa da iniciação. Santo André representa, quanto a ele, o discípulo que conduz a Cristo.

Esta orientação explica por que o Rito Sueco permanece exclusivamente cristão. Ao contrário de outras formas de maçonaria que acolhem homens de todas as religiões, o sistema sueco considera que o seu percurso iniciático repousa inteiramente sobre a fé cristã.

Mas é preciso evitar um mal-entendido. O cristianismo não é aí um simples cenário ritual adicionado artificialmente à maçonaria. Constitui a estrutura mesma do sistema.

Outro ponto notável: o Rito Sueco nunca se interessou muito pela alquimia ou pelas práticas ocultas espetaculares que fascinaram certos meios esotéricos do século XVIII. A sua orientação era essencialmente mística e teúrgica. Procurava menos manipular forças escondidas do que estabelecer uma relação interior com o Divino.

O símbolo mais espetacular do laço entre monarquia e iniciação permanece a Ordem de Carlos XIII, criada no início do século XIX. Esta ordem cavalheiresca pertence oficialmente ao sistema honorífico da Coroa sueca. Contudo, não pode ser conferida senão a maçons que tenham atingido os mais altos graus do Rito.

Estamos, portanto, perante uma realidade quase única: uma ordem ao mesmo tempo real e maçónica.

Ainda hoje, o Rito Sueco permanece vivo nos países escandinavos. Conservou o essencial das suas estruturas históricas, a sua identidade cristã e a sua tonalidade contemplativa.

Num mundo maçónico muitas vezes marcado pelos debates ideológicos modernos ou pelas simplificações rituais, o Rito Sueco aparece quase como uma testemunha do século XVIII ainda viva.

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