Em que consiste o Rito de York?
O Rito de York designa um conjunto completo de treze graus repartidos em quatro Oficinas diferentes:
Lojas Azuis (sob a jurisdição das Grandes Lojas):
- Aprendiz
- Companheiro
- Mestre
Capítulos do Arco Real (sob a jurisdição de Grandes Capítulos):
- Mestre de Marca
- Passado Mestre Virtual
- Muito Excelente Mestre
- Maçom do Arco Real
Conselhos Crípticos (sob a jurisdição de Grandes Conselhos):
- Mestre Real
- Mestre Escolhido
- Super Excelente Mestre
Comanderias de Cavaleiros Templários (sob a jurisdição de Grandes Comanderias e do Grande Acampamento dos Estados Unidos):
- Ordem da Cruz Vermelha
- Ordem de Malta
- Ordem do Templo.

Vários destes graus existem na maçonaria de outros países anglo-saxónicos (como, por exemplo, o Arco Real ou a Maçonaria de Marca), mas organizados de outra forma. O Rito de York é o único na maçonaria anglo-saxónica a agrupar todos estes graus num conjunto coerente que ostenta o nome de Rito.
Os rituais do Rito de York são marcados por uma forte influência bíblica, insistindo sobretudo no Antigo Testamento nas Lojas, Capítulos e Conselhos, e no Novo Testamento para as Comanderias. É necessário acreditar em Deus (sem especificar qual) para pertencer às Lojas, Capítulos e Conselhos, mas é preciso ser cristão trinitário para ingressar nas Comanderias.
Com variantes consoante os Estados, o Rito de York é o Rito oficial das Grandes Lojas regulares americanas e, naturalmente, da maçonaria afro-americana de Prince Hall.
O Rito de York vem de York?
Os defensores do Rito de York afirmam prontamente que o seu Rito (pelo menos nos seus graus simbólicos) é o mais antigo do mundo, uma vez que remontaria à primeira assembleia de Maçons realizada em York em 926, sob o reinado do rei Athelstan. Esta assembleia lendária é relatada pela primeira vez pelo manuscrito Halliwell, mais conhecido pelo nome de “Regius” (cerca de 1390), mas a data de 926 só é articulada desde o reinado de Isabel I. Nenhuma fonte histórica confirma que tal assembleia tenha ocorrido.
Não deixa de ser verdade que a Loja de York se considerava particularmente eminente no seio da maçonaria inglesa. Foi assim que, em 1725, em reação à criação da Grande Loja de Londres e à alteração dos rituais operada por esta última, proclamou-se “Grande Loja de toda a Inglaterra reunindo-se desde tempos imemoriais na Cidade de York”.
Esta Grande Loja, que muitas vezes se esquece de mencionar quando se fala da maçonaria inglesa do século XVIII, foi a primeira oposição organizada à “Modernidade” da Grande Loja de Londres, cerca de trinta anos antes da fundação da Grande Loja dos Antigos. O seu impacto foi menor do que o das outras duas Grandes Lojas, pois era pouco estruturada: funcionava como uma Loja-Mãe, reunindo-se apenas para receber novos Irmãos com o objetivo de constituir novas Lojas, e não assegurava a administração dessas Lojas. Entrou em dormência nos anos 1730, para renascer em 1761. Em 1769, a Loja “Antiquity” da Grande Loja de Londres separou-se e uniu-se à Grande Loja de York, que tomou então o nome de “Grande Loja de toda a Inglaterra ao Sul do Rio Trent”. Esta Grande Loja cessou toda a atividade em 1789 ou 1790.
Qual era o ritual (ou os rituais) em uso nas Lojas reconhecidas pela Grande Loja de York? Não se sabe. Mas pode-se afirmar sem hesitar que era da tradição dita Antiga, tal como eram os da Grande Loja dos Antigos, da Grande Loja da Irlanda e da Grande Loja da Escócia, e como o seria, a partir de 1813, o Rito Inglês Emulation.
Na falta de conhecer o ritual em uso na Grande Loja de York, nota-se, contudo, uma particularidade: ao contrário das outras Grandes Lojas, conferia não apenas os três graus simbólicos, mas também o Arco Real (desde 1770) e o Cavaleiro Templário (desde 1780). Esta estrutura recorda-nos, naturalmente, a do atual Rito de York, menos o Conselho dos graus Crípticos, que só aparecem em Nova Iorque a partir de 1792 e começam a estruturar-se por volta de 1810. Mas existirá um vínculo de filiação direta entre os usos da Grande Loja de York e o atual Rito de York Americano? Temos o direito de duvidar.
As origens do Rito de York ou Americano
O Rito de York nasceu nas colónias americanas, que se tornariam os Estados Unidos da América após 1783. Embora mergulhe as suas raízes nas tradições maçónicas inglesas, irlandesas e escocesas, não deixa de ser original e representa o fruto dos compromissos adotados para harmonizar os diferentes usos maçónicos vindos da Grã-Bretanha e fundi-los num Rito que fosse próprio do novo país independente que acabava de nascer.
As primeiras Lojas americanas, que aparecem desde 1730, têm, de facto, várias origens: algumas tinham sido fundadas pelas Grandes Lojas Provinciais implantadas nas colónias pela Grande Loja de Londres (os “Modernos”), mas a maioria era de tradição “Antiga”: tratava-se de Lojas de criação espontânea, ou de Lojas fundadas por Lojas militares ligadas à Grande Loja da Irlanda, pela Grande Loja da Escócia, ou ainda pela Grande Loja dos Antigos (a partir de 1758).
É difícil ver como a Grande Loja de York, que entrava em dormência no momento em que as primeiras Lojas eram fundadas na América, poderia ter desempenhado um papel no desenvolvimento da maçonaria americana. E mesmo após o seu despertar em 1761, contava apenas com nove Lojas quando a Guerra da Independência Americana terminou em 1783. Lê-se por vezes que as Lojas militares irlandesas teriam difundido o Rito da Grande Loja de York no novo continente. Mas por que o teriam feito, dado que dependiam da Grande Loja da Irlanda e dispunham da sua própria tradição maçónica?

A necessidade de um novo ritual na América impôs-se por razões históricas. Durante a Guerra da Independência, as Lojas dependentes da Grande Loja de Londres (os “Modernos”) tomaram mais o partido da Inglaterra, enquanto os “Antigos” juntaram-se mais ao campo dos Insurgentes. Após a Independência efetiva de 1783, muitos Franco-maçons “Modernos” regressaram a Inglaterra e as diferentes Grandes Lojas Provinciais da Grande Loja de Londres acabaram por fundir-se com as suas homólogas de tradição “Antiga”. O Rito de York impôs-se então como o único Rito praticado pelas Grandes Lojas dos Estados que formavam a União.
Por que o nome de Rito de York?
Se os franco-maçons que se reclamavam da Grande Loja de York não desempenharam manifestamente qualquer papel na difusão da maçonaria na América, se o ritual que utilizavam tem poucas hipóteses de ter atravessado o Atlântico, por que razão o Rito Americano ostenta este nome de Rito de York?
Os franco-maçons americanos escolheram, sem dúvida, este nome por duas razões. A primeira é que a Loja de York, frequentemente mencionada nos “Old Charges”, permanecia envolta na aura lendária que a faria o berço da maçonaria.
A segunda razão é mais diplomática. As Lojas americanas eram de origem inglesa, irlandesa ou escocesa. Qual destas tradições teria a primazia nos novos Estados Unidos? As Grandes Lojas dos Estados americanos não podiam certamente denominar-se “Inglesas”, é evidente. Mas intitular-se “Irlandesas” ou “Escocesas” teria introduzido particularismos próprios do Reino Unido que já não tinham razão de ser na nova República. A tradição de York, que pretende remontar a tempos imemoriais, permitia ligar a nova maçonaria americana à mais pura tradição maçónica, sem, contudo, citar o nome da Inglaterra nem de Londres.



