A colher de pedreiro na maçonaria: ferramenta simbólica ou sinal jacobita?

1. A trolha na maçonaria: uma ferramenta quase ausente dos primeiros rituais

Ao examinarmos os primeiros documentos conhecidos da maçonaria especulativa, o lugar da trolha parece surpreendentemente marginal. Os textos maçônicos mais antigos preservados — principalmente escoceses e ingleses — remontam ao final do século XVII e início do século XVIII. Ora, nesses documentos, as ferramentas simbólicas mencionadas são quase sempre as mesmas: o Esquadro, o Compasso, o Nível, o Prumo, o malho maçônico ou ainda o Cinzel. A trolha, embora indispensável no trabalho real dos construtores, aparece apenas em um único texto conhecido, publicado em 1726.

Esta ausência é ainda mais notável pelo fato de que esses textos buscam precisamente estabelecer um vínculo entre a nascente maçonaria especulativa e a herança dos antigos construtores. Poder-se-ia, portanto, esperar que a trolha, ferramenta comum em qualquer canteiro de obras de alvenaria, fizesse naturalmente parte do corpus simbólico primitivo. No entanto, não é o caso.

As divulgações maçônicas inglesas do início do século XVIII confirmam esta constatação. No *Masonry Dissected* de Samuel Pritchard, publicado em 1730, nenhum papel simbólico é atribuído à trolha. Da mesma forma, a divulgação *Three Distinct Knocks*, publicada em 1760 e que descreve em detalhe os usos de uma loja pertencente à tradição dita dos “Antigos”, não faz qualquer menção a ela. As ferramentas evocadas são sempre aquelas ligadas à medição, à retidão e ao ajuste das pedras.

O único documento a mencionar a trolha é *The Grand Mystery Laid Open*, publicado em 1726, que assinalamos acima. Este documento afirma que os maçons utilizam duas ferramentas principais: o martelo para separar e a trolha para unir. Mas esta menção permanece isolada e aparece num texto frequentemente considerado como uma paródia ou uma divulgação fantasiosa. Ela não parece refletir os usos dominantes da maçonaria da época.

A situação é comparável no continente europeu. Na França, assim como na área germânica, os primeiros rituais conhecidos e as divulgações do início do século XVIII também ignoram a trolha. Os documentos maçônicos anteriores a meados do século não lhe atribuem nem função ritual nem valor simbólico particular.

Assim, no momento em que a maçonaria se estrutura e fixa progressivamente o seu vocabulário simbólico, a trolha permanece quase totalmente ausente. Esta constatação levanta uma questão histórica essencial: se a trolha na maçonaria não faz parte do núcleo simbólico original, como explicar o seu aparecimento progressivo em certos rituais do século XVIII?

2. O aparecimento da trolha nas divulgações francesas do século XVIII

O primeiro aparecimento verdadeiro da trolha num texto maçônico encontra-se numa divulgação francesa particularmente singular: *Le Parfait Maçon*, publicado em 1744. Esta obra pretende revelar os segredos dos Aprendizes, Companheiros, Mestres e Maçons Escoceses, mas apresenta um ritual muito diferente daqueles que conhecemos por outras fontes. Nesta divulgação, o Venerável traz no seu colar um Esquadro e uma Trolha. Após a prestação do juramento de um novo Aprendiz, ele pega numa trolha, finge misturar argamassa numa gamela e, em seguida, passa-a simbolicamente nos lábios do recipiendário a fim de selar a palavra. Esta cena ritual, incomum nos graus simbólicos, confere à trolha uma função muito particular: ela torna-se a ferramenta que garante o silêncio e o segredo.

No ano seguinte, é publicada outra divulgação, *Le Sceau Rompu*, que apresenta desta vez um ritual muito mais conforme aos usos maçônicos da época. A trolha é mencionada na descrição geral dos símbolos da maçonaria, mas num contexto diferente. Ela aparece associada à espada, combinação que remete claramente ao grau de Cavaleiro do Oriente, surgido na década de 1740. Neste grau, a espada e a trolha simbolizam a atitude dos construtores de Jerusalém que, segundo o relato bíblico do livro de Neemias, trabalhavam na reconstrução das muralhas enquanto permaneciam prontos para se defender.

Neemias inspecionando as muralhas de Jerusalém. Gravura de Gustave Doré, século XIX.

Por volta do mesmo período, o manuscrito Luquet — um dos mais antigos rituais maçônicos franceses que nos chegaram — reforça ainda mais esta associação. A trolha e a espada são apresentadas como as armas dos maçons, numa perspectiva que remete diretamente às ideias expostas no célebre Discurso do Cavaleiro de Ramsay em 1736. Ramsay fazia, de fato, remontar as origens da maçonaria às Cruzadas e aos cavaleiros cristãos estabelecidos na Terra Santa. Neste contexto simbólico, a trolha evoca o ato de construir, enquanto a espada recorda a dimensão cavalheiresca que certos meios maçônicos do século XVIII procuravam destacar.

Estes diferentes testemunhos mostram que, em meados do século XVIII, a trolha começa a aparecer em certos textos maçônicos franceses, mas num contexto bem particular. Ela ainda não é uma ferramenta simbólica universalmente reconhecida; parece, antes, ligada ao surgimento dos altos graus do REAA e ao imaginário cavalheiresco que se desenvolvia então numa parte da maçonaria europeia.

3. A trolha, símbolo de uma corrente maçônica particular?

Os diferentes testemunhos de meados do século XVIII sugerem que a trolha não pertence ao corpus simbólico mais antigo da maçonaria. Ela aparece, pelo contrário, em meios precisos e em textos que testemunham evoluções importantes da cultura maçônica da época.

O fato de a encontrarmos primeiro em certas divulgações francesas, e depois em rituais ligados aos altos graus, leva a crer que ela não provém diretamente da tradição primitiva das lojas simbólicas. Parece, antes, ligada ao aparecimento de novos sistemas simbólicos que se desenvolvem nas décadas de 1740 e 1750.

Estes sistemas introduzem relatos históricos, bíblicos ou cavalheirescos destinados a prolongar o ensino dos três graus. Neste contexto, a trolha pode facilmente encontrar o seu lugar: ela evoca simultaneamente o ato de construir e a ideia de um trabalho coletivo orientado para uma reconstrução simbólica.

Mas uma questão permanece. Se a trolha não pertence ao vocabulário simbólico dos primeiros rituais e se o seu aparecimento parece ligado a certos meios particulares do século XVIII, devemos ver nesta ferramenta a expressão de uma corrente maçônica específica?

4. A trolha, sinal de rali jacobita?

Alguns historiadores propuseram uma hipótese mais audaciosa para explicar o aparecimento da trolha em certos meios maçônicos do século XVIII. Segundo eles, esta ferramenta poderia estar ligada a uma corrente política particular: a dos jacobitas.

Após a Revolução Gloriosa de 1688, o rei Jaime II Stuart é deposto e forçado ao exílio. Ele encontra refúgio na França, em Saint-Germain-en-Laye, onde se constitui em torno dele uma importante comunidade de exilados escoceses, irlandeses e ingleses que permaneceram fiéis à dinastia Stuart. Estes meios jacobitas desempenham um papel não negligenciável na difusão da maçonaria no continente europeu no início do século XVIII.

Vários investigadores, entre os quais o historiador Jan Snoek, sugeriram que certos rituais incomuns poderiam refletir os usos destes círculos maçônicos próximos do jacobitismo. Nesta perspectiva, a divulgação *Le Parfait Maçon* de 1744, durante muito tempo considerada como uma simples paródia, poderia testemunhar práticas realmente observadas nestas lojas de exilados.

O simbolismo do grau de Cavaleiro do Oriente presta-se, aliás, a uma leitura política possível. A lenda do grau evoca Zorobabel, príncipe de linhagem real regressado do exílio para reconstruir o Templo de Jerusalém com a autorização do rei Ciro. Esta figura de um príncipe legítimo no exílio encarregado de restaurar uma ordem antiga podia facilmente ser interpretada, no contexto da década de 1740, como uma alusão ao pretendente Stuart e às esperanças de restauração da sua dinastia, com o apoio do rei da França.

Nesta interpretação, a imagem do construtor trabalhando com a trolha numa mão e segurando a espada na outra não representaria apenas a reconstrução do Templo bíblico. Poderia também simbolizar a ideia de uma restauração política conduzida simultaneamente pela ação e pela vigilância. A trolha não seria, portanto, apenas uma ferramenta de construção: tornar-se-ia o sinal discreto de um projeto de reconstrução, simultaneamente simbólico e político.

5. Da hipótese política ao símbolo maçônico

Qualquer que seja a parte de verdade que se conceda a esta interpretação, é difícil afirmar com certeza que a trolha tenha sido, na origem, um símbolo jacobita. As fontes permanecem fragmentárias e os rituais do século XVIII testemunham frequentemente práticas diversas que nem sempre correspondem a um sistema simbólico perfeitamente coerente.

Trolha maçônica cerimonial, Canadá, 1872.

O que aparece mais claramente, por outro lado, é que a trolha acaba progressivamente por encontrar o seu lugar na linguagem simbólica da maçonaria. Em certos rituais, ela torna-se a ferramenta que serve para mascarar os defeitos das pedras, imagem que encontramos já no manuscrito Luquet. A alegoria é transparente: tal como a argamassa preenche as irregularidades de uma parede, a fraternidade maçônica deve aprender a cobrir as imperfeições humanas.

Pouco a pouco, a trolha deixa assim de estar ligada a um contexto histórico particular para se tornar um símbolo moral mais universal. Ela evoca o trabalho coletivo, a união dos irmãos e o esforço comum necessário à edificação do Templo simbólico.

Conclusão – A trolha na maçonaria: um símbolo tardio e enigmático

A história da trolha na maçonaria apresenta um paradoxo singular. Ferramenta, contudo, essencial no trabalho dos construtores, ela quase não figura nos primeiros rituais conhecidos. Os textos do início do século XVIII ignoram-na quase totalmente, mesmo quando procuram estabelecer um vínculo simbólico com a herança dos antigos ofícios da construção.

É apenas a partir de meados do século que a trolha aparece em certos textos maçônicos, frequentemente em contextos particulares: divulgações francesas incomuns, desenvolvimento dos altos graus ou meios marcados por um imaginário cavalheiresco e bíblico. Neste quadro, a hipótese de uma influência jacobita, ligada aos exilados Stuart e aos círculos maçônicos que lhes eram próximos, oferece uma pista de interpretação possível, sem contudo poder ser estabelecida com certeza.

Quaisquer que sejam as circunstâncias exatas do seu aparecimento, a trolha acabou por encontrar o seu lugar na simbólica maçônica. Primeiro ferramenta discreta e marginal, torna-se progressivamente a imagem de um trabalho coletivo: aquele que consiste em unir as pedras, cobrir os defeitos e participar na edificação de um edifício comum.

Assim, por trás desta ferramenta modesta desenha-se uma trajetória simbólica surpreendente. Talvez nascida em contextos históricos particulares do século XVIII, a trolha na maçonaria transformou-se pouco a pouco num sinal mais universal: o da união fraterna e do trabalho partilhado que permitem construir, pedra após pedra, o Templo da humanidade.

Por Ion Rajolescu, redator-chefe de Loja — ao serviço de uma palavra maçônica justa, rigorosa e viva

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1 Por que a trolha é tão raramente mencionada nos primeiros rituais maçônicos?

Os documentos maçônicos mais antigos, redigidos no final do século XVII e início do século XVIII, mencionam sobretudo ferramentas ligadas à medição e ao ajuste das pedras, como o Esquadro, o Compasso ou o Nível. A trolha, embora essencial no trabalho dos construtores, praticamente não aparece nestes textos. Parece ter sido integrada mais tarde na simbólica maçônica.

2 Quando a trolha aparece pela primeira vez na maçonaria?

A primeira menção conhecida da trolha encontra-se num texto publicado em 1726, The Grand Mystery Laid Open. Contudo, é sobretudo a partir da década de 1740 que a trolha começa a aparecer mais claramente em certos textos maçônicos franceses, nomeadamente na divulgação Le Parfait Maçon publicada em 1744.

3 Qual é o significado simbólico da trolha na maçonaria?

A trolha é geralmente interpretada como a ferramenta que serve para unir as pedras e espalhar a argamassa. Por analogia, simboliza a união fraterna entre os membros da loja e o esforço coletivo necessário à edificação do Templo simbólico.

4 Por que a trolha é associada à espada em certos graus maçônicos?

Em certos altos graus surgidos no século XVIII, como o de Cavaleiro do Oriente, a trolha é associada à espada. Esta imagem inspira-se no relato bíblico da reconstrução de Jerusalém no livro de Neemias, onde os construtores trabalham enquanto permanecem prontos para se defender.

5 A trolha na maçonaria está ligada aos jacobitas?

Alguns historiadores avançaram a hipótese segundo a qual a trolha poderia ter sido utilizada como sinal de rali em certos meios maçônicos próximos do jacobitismo no século XVIII. Esta interpretação permanece, contudo, discutida e não pode ser considerada como uma certeza histórica.

6 Em que ritos maçônicos encontramos hoje a trolha?

A trolha aparece em vários sistemas maçônicos. Está nomeadamente presente no Rito Escocês Antigo e Aceito, no Rito Francês e em diversos altos graus oriundos das tradições anglo-saxônicas, onde é por vezes associada a lendas ligadas à reconstrução do Templo.

7 Por que a trolha se tornou um símbolo de união fraterna?

Com a evolução da maçonaria no século XVIII, as ferramentas dos construtores foram progressivamente interpretadas de maneira moral e simbólica. A trolha, que serve para unir as pedras e preencher as irregularidades de uma parede, tornou-se assim a imagem do trabalho fraterno que consiste em superar as diferenças e construir em conjunto.

Encontre aqui a transcrição completa do podcast para aqueles que preferem a leitura ou desejam aprofundar as trocas.

Podcast – A trolha na maçonaria: ferramenta simbólica ou sinal jacobita?

Entre as numerosas ferramentas simbólicas que associamos espontaneamente à maçonaria, algumas parecem ser óbvias. O Esquadro, o Compasso, o Nível ou o Prumo aparecem quase naturalmente nos rituais e no imaginário maçônico. Mas existe uma ferramenta que coloca um problema histórico bastante curioso: a trolha.

A trolha é, contudo, uma ferramenta fundamental do ofício de pedreiro. Nenhum canteiro de obras em pedra pode passar sem ela. Serve para manipular a argamassa, para preencher as irregularidades e para estabilizar as pedras na obra. Poder-se-ia, portanto, esperar vê-la aparecer muito cedo nos rituais maçônicos.

Ora, não é o caso.

Quando examinamos os primeiros textos maçônicos conhecidos, redigidos no final do século XVII e início do século XVIII, a trolha está quase totalmente ausente. Os documentos escoceses e ingleses deste período mencionam sobretudo ferramentas ligadas à medição e à retidão: o Esquadro, o Compasso, o Nível ou o Prumo. Mas a trolha praticamente nunca figura neles.

Mesmo as grandes divulgações maçônicas inglesas do início do século XVIII ignoram-na. Em *Masonry Dissected*, publicado por Samuel Pritchard em 1730, a trolha não desempenha qualquer papel simbólico. O mesmo acontece em *Three Distinct Knocks*, publicado em 1760.

Uma única exceção aparece num texto bastante estranho publicado em 1726: *The Grand Mystery Laid Open*. Este documento afirma que os maçons utilizam duas ferramentas principais: o martelo para separar e a trolha para unir. Mas esta menção permanece isolada e figura num texto frequentemente considerado como uma paródia.

É preciso esperar pela década de 1740 para ver aparecer a trolha em certos textos maçônicos franceses. Um dos primeiros exemplos encontra-se na divulgação intitulada *Le Parfait Maçon*, publicada em 1744.

Neste ritual, a trolha desempenha um papel bastante inesperado. Após o juramento de um novo Aprendiz, o Venerável pega numa trolha, finge misturar argamassa numa gamela e, em seguida, passa-a simbolicamente nos lábios do recipiendário para selar a sua palavra. A trolha torna-se assim a ferramenta que garante o silêncio e o segredo.

Ao mesmo tempo, outros textos maçônicos associam a trolha a um símbolo muito diferente: a espada. Esta associação aparece nomeadamente no grau de Cavaleiro do Oriente, um dos primeiros altos graus desenvolvidos na maçonaria do século XVIII.

Neste grau, a imagem é inspirada no relato bíblico da reconstrução de Jerusalém após o exílio da Babilônia. O livro de Neemias conta que os construtores trabalhavam enquanto permaneciam prontos para se defender contra os seus inimigos. Os operários construíam com uma mão e seguravam uma arma com a outra.

Na simbólica maçônica, a trolha representa então o ato de construir, enquanto a espada evoca a vigilância e a defesa.

Mas um detalhe merece ser notado: o texto bíblico nunca menciona a trolha. Fala simplesmente dos homens que constroem e que portam a espada.

Por que ter escolhido precisamente esta ferramenta?

Alguns historiadores propuseram uma hipótese bastante audaciosa. Segundo eles, a trolha poderia ter estado ligada a uma corrente política particular do século XVIII: a dos jacobitas.

Após a Revolução Gloriosa de 1688, o rei Jaime II Stuart é deposto e forçado ao exílio. Ele encontra refúgio na França, em Saint-Germain-en-Laye, onde se forma em torno dele uma importante comunidade de exilados escoceses, irlandeses e ingleses que permaneceram fiéis à sua dinastia.

Estes meios provavelmente desempenharam um papel na difusão da maçonaria no continente europeu. E alguns investigadores sugeriram que rituais incomuns, como os descritos em *Le Parfait Maçon*, poderiam refletir os usos destes círculos maçônicos de exilados.

Neste contexto, a lenda do Cavaleiro do Oriente assume uma ressonância particular. O grau conta a história de Zorobabel, príncipe de linhagem real regressado do exílio para reconstruir o Templo de Jerusalém com a autorização do rei Ciro.

Para contemporâneos do século XVIII, esta figura de um príncipe legítimo no exílio encarregado de restaurar uma ordem antiga podia evocar a situação dos Stuart, refugiados na França e apoiados pela monarquia francesa.

Nesta perspectiva, a imagem do construtor segurando a trolha numa mão e a espada na outra poderia simbolizar muito mais do que a reconstrução do Templo bíblico. Poderia também evocar a ideia de uma restauração política conduzida simultaneamente pela ação e pela vigilância.

Claro, esta interpretação permanece uma hipótese. As fontes são fragmentárias e os rituais do século XVIII testemunham frequentemente evoluções múltiplas que nem sempre correspondem a um sistema perfeitamente coerente.

O que aparece mais claramente, por outro lado, é que a trolha acaba progressivamente por encontrar o seu lugar na linguagem simbólica da maçonaria.

Em certos rituais, ela torna-se a ferramenta que serve para mascarar os defeitos das pedras. A imagem é simples e eloquente: tal como a argamassa preenche as irregularidades de uma parede, a fraternidade maçônica deve aprender a cobrir as imperfeições humanas.

Pouco a pouco, a trolha deixa assim de estar ligada a um contexto histórico particular para se tornar um símbolo mais universal. Ela evoca a união dos irmãos e o trabalho coletivo necessário à edificação do Templo simbólico.

Assim, por trás desta ferramenta modesta desenha-se uma trajetória bastante singular. Quase ausente dos primeiros rituais, talvez ligada a certos meios particulares do século XVIII, a trolha encontrou finalmente o seu lugar na simbólica maçônica.

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